
Na alvorada de Maio, ela ainda acreditava...
Na aurora de Abril ela ainda sonhava...
Ela vivia naquele século XVIII, naquela segunda geração ultra- romântica dos poetas vivos.
Um lápis; Um papel; Uma poesia e as estrelas...
Mas, nada mais importava em seu mundo, sabem por quê? Porque alguém conseguiu estraçalhar seu coração feito de versos de amor.
Era fim de tarde de Maio, ela não queria desistir, mas ele... Ele não estava nem aí. Fim da aula no século XXI, a menina de modos de um passado saudoso, ia atrás do seu amado pelo corredor de um colégio onde cursava o ensino médio.
- Por favor, eu só quero falar uma coisa com você.... – Dava pra ver seu coração se partindo pelos seus olhos.
- Falar o que? Já conversamos tudo! Depois nos falamos tá bem?!- Ele era curto e grosso
- Não! Não posso ficar mais um dia sem te dizer isso... – As lágrimas lutam pra se esconder em seus olhos.
- Já sei o que você vai dizer! A mesma coisa de sempre... E pra ser sincero não quero mais ouvir você dizer que me ama. Já disse que não gosto de você! – Ele tinha acabado de cravar uma estaca no coração da menina.
O sinal toca, e o garoto sai da frente da menina, com passos apressados e sem olhar pra trás. Por algum motivo ele estava atordoado, deve ser porque, ele não agüentava a dor da culpa de vê-la chorar e sofrer todos os dias por ele. Mas a pequena sonhadora não desistiu e o seguiu até a saída. Parou no portão do colégio, com as mãos trêmulas segurando, uma as grades do portão, a outra, palavra escritas a mão. Ele estava do lado de fora de costas para ela. Assim ele permaneceu, pegou o celular, olhou para a menina de soslaio, colocou o celular no ouvido e ainda de costas para ela...
Foi embora.E este era o cenário: Uma rua onde a brisa fazia uma folha seca de outono voar. Uma menina no portão de um colégio qualquer segurando cartas de um amor sincero que agora, a mesma brisa pegava suavemente de suas mãos, e as joga no chão perto de seus pés.
Ela ainda não conseguia se mover. Não conseguia acreditar. Mas, com lágrimas no rosto, e com aura de nostalgia, conseguiu mover um passo pra fora daquela rua, daquela solidão, onde só quem chorava com ela era a lua minguante, que começara a surgir por trás das nuvens de um outono perdido para ela.
A menina deixou marcada aquela calçada. Ela deixou seu coração ali no chão. E isso era a única coisa que ela queria mostrar a ele: O nome dele tatuado em seu coração que morria com a sua ausência. E agora ele está lá no chão, sozinho e sem vida, sendo velado pela lua e pelos finos flocos de neve que começam a cair.
Em um século onde seus sonhos deveriam aflorar. Mais foi na alvorada de maio onde eles começam a morrer, no coração esquecido e estilhaçado, de uma pequena poetisa.