
Era fim de manhã de sexta-feira. Minha felicidade estava escrita em meus olhos só de pensar em te encontrar depois do colégio. Mas eu estava tão preocupada, queria tanto te ver, mais chorava só de olhar pra você. Cheguei a casa, e mesmo tão quietinha, seu nome fazia prova do que você era: Bela. Minha pequena anjinha de branco. Eu fazia questão de todas as manhãs assim que abria os olhos sussurrar seu nome, e você vinha ainda sem forças, e deitava no meu colo. Me enchia de lambidas e eu podia ver em seus olhos o amor puro que só você tem. Não posso conter minhas lágrimas quando retorno àquele passado feliz. Lembro que no sábado, fomos só nós duas ao jardim escondido por trás dos prédios, e ficamos sozinhas debaixo de uma árvore olhando o céu. Foram 40 minutos de nos fazer paisagem. E você foi perfeita, queria poder te dizer isso, ficou ali no meu colo como se soubesse o que estaríamos passando, como se soubesse que algo iria nos separar e você precisava preencher aquele tempo de ausência. Sei bem que poderíamos passar o dia ali. As duas sentadas sob as folhas de outono, olhando o céu e ouvindo a música das urzes a cantar, e o som da brisa a nos encantar. Minha anjinha queria tanto te trazer de volta. Se eu pudesse escolher, eu não teria ido, não teria te deixado, nunca. Eu te amo por tudo! Não só porque você foi a primeira em meu coração, mas por me fazer feliz, por ficar sentindo o perfume das flores em um passeio ao crepúsculo. Por me revelar o anjo que você foi e ainda é. Eu ainda te sinto em meus braços. Eu ainda te vejo se tremendo como gelatina, não de dor, mas de alegria por me ver chegar em casa depois de um culto de domingo. E saiba que nenhum outro ser nessa terra vai ter tanta gratidão como eu tenho por você! E eu acredito que por mais inaceitável que essa perda seja; Por mais colossal que seja essa dor, eu sei que você descansa em paz. Sei que nunca vou conseguir me perdoar por ser tão incapaz de fazer algo a seu favor. Eu queria salvar sua vida... Mas te agradeço por ter vindo até mim e ter me feito entender o que amar! Eu te amo, eu ainda choro de saudades quando me lembro do som das suas patinhas arranhando o chão quando a alvorada se erguia! Você sim levou consigo uma grande parte de mim! Pra sempre será só você, Minha eterna; Minha anjinha... Minha querida Belinha!
Homenagem a primeira e única cadelinha que marcou a vida de quatro pessoas. E sua perda até hoje faz sangrar nossos coração pela forma que ela foi tirada de nossas vidas.
Belinha você é eterna!